Lembrei-me de uma canção de quando era pequena, que cantava o refrão "dez anos é muito tempo"...
E mesmo não querendo contrariar a objectividade de tal afirmação, pus-me a pensar na relatividade do tamanho do tempo. De como os dias rastejavam quando eu era pequena e de como voam agora. De como certas tardes duram um segundo, e outras duram uma vida. E de como certos acontecimentos permanecem frescos na nossa memória, enquanto outros se perdem com o passar do tempo, seja pouco ou muito.
Como se o tempo se emaranhasse na palma da nossa mão, como um fio de lã, tornando próximos, momentos de outra forma distantes... Talvez seja isso que aconteça com a nossa memória. Talvez tenhamos demasiados nós dentro da cabeça...
terça-feira, 8 de Setembro de 2009
sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2009
Será Camões?
Um dos primeiros poemas que aprendi na vida foi-me ensinado pelo meu pai e diz o seguinte:
"Estava eu sentado num banco de pedra feito de madeira,
a ler à luz de uma vela apagada,
quando de repente percebi que mais vale morrer do que perder a vida!"
Confesso que quando era pequena apenas conseguia ver os paradoxos tão aparentes do poema. No entanto fui envelhecendo, instruindo na arte da metaforização, fiz até um curso de escrita criativa... e de repente os paradoxos deixaram de ser...
Pois os bancos de madeira podem ser de pedra e vice-versa...
A luz pode estar apagada e do escuro pode sempre surgir luz...
E mais do que tudo o resto, perdemos a vida todos os dias sem morrer e, se tivermos muita, muita sorte, poderemos morrer sem ter perdido a vida!
"Estava eu sentado num banco de pedra feito de madeira,
a ler à luz de uma vela apagada,
quando de repente percebi que mais vale morrer do que perder a vida!"
Confesso que quando era pequena apenas conseguia ver os paradoxos tão aparentes do poema. No entanto fui envelhecendo, instruindo na arte da metaforização, fiz até um curso de escrita criativa... e de repente os paradoxos deixaram de ser...
Pois os bancos de madeira podem ser de pedra e vice-versa...
A luz pode estar apagada e do escuro pode sempre surgir luz...
E mais do que tudo o resto, perdemos a vida todos os dias sem morrer e, se tivermos muita, muita sorte, poderemos morrer sem ter perdido a vida!
quinta-feira, 4 de Dezembro de 2008
The perfect dress...
Uma amiga disse-me em relação a esta imagem: "Essa cidade fica-te bem!" Ao que eu respondi que também eu "ficava bem" nesta cidade!!!
Sim, porque esta cidade é como um vestido de veludo preto comprido, com um decote em V e sem costas, que eu uso sobre a pele como uma carícia, enquanto bebo uma taça de Perrier Jouët, olhando de uma varanda uma praça quadrada com o meu jardim...
E porque certos sítios são mais do que queridos... São nossos, desde há quanto tempo não sabemos, e serão nossos sempre, mesmo que percamos essa consciência...
Sim, porque esta cidade é como um vestido de veludo preto comprido, com um decote em V e sem costas, que eu uso sobre a pele como uma carícia, enquanto bebo uma taça de Perrier Jouët, olhando de uma varanda uma praça quadrada com o meu jardim...
E porque certos sítios são mais do que queridos... São nossos, desde há quanto tempo não sabemos, e serão nossos sempre, mesmo que percamos essa consciência...
sexta-feira, 5 de Setembro de 2008
Sair do armário...
Após mais de duas décadas a tentar reprimir o meu verdadeiro eu, é chegada a hora de me assumir publicamente!
Pois é! A verdade, por muito chocante que possa ser, é que eu gosto dos ABBA!!! Ou não fosse eu, nascida (tal como a música) em 1976, uma verdadeira "Dancing Queen"!
Enjoy!!!
Pois é! A verdade, por muito chocante que possa ser, é que eu gosto dos ABBA!!! Ou não fosse eu, nascida (tal como a música) em 1976, uma verdadeira "Dancing Queen"!
Enjoy!!!
quinta-feira, 7 de Agosto de 2008
Lipoaspiração...
Frequentemente tenho medo... Medo dos outros, medo de mim, medo de ter, medo de não ter, medo até do escuro e da claridade imensa. Medo da tristeza, medo da solidão, medo da fome, medo da morte, medo do frio, medo do calor, medo de desapontar, medo do medo...
Quando somos crianças é muito fácil admitir esse medo e agir em função dele. Refugiamo-nos no colo, na cama, nas pernas ou nos braços dos nossos pais, autênticos baluartes contra o medo. Agora que ainda não sou, mas se dependesse da minha mãe que anseia ser avó, poderia já ser uma dessas supostas fortalezas contra o medo, interrogo-me: onde se escondem os pais quando são atingidos pelo medo?
Porque inevitavelmente o medo acaba sempre por nos apanhar distraídos. Como sempre ouvi dizer desde que era criança "quem tem cú, tem medo", e os nossos traseiros só vão ganhando imponência com a idade.
Que devemos então fazer para combater os nossos receios? Muita gente vai ao psicólogo. Eu estou a considerar seriamente uma lipoaspiração!
Quando somos crianças é muito fácil admitir esse medo e agir em função dele. Refugiamo-nos no colo, na cama, nas pernas ou nos braços dos nossos pais, autênticos baluartes contra o medo. Agora que ainda não sou, mas se dependesse da minha mãe que anseia ser avó, poderia já ser uma dessas supostas fortalezas contra o medo, interrogo-me: onde se escondem os pais quando são atingidos pelo medo?
Porque inevitavelmente o medo acaba sempre por nos apanhar distraídos. Como sempre ouvi dizer desde que era criança "quem tem cú, tem medo", e os nossos traseiros só vão ganhando imponência com a idade.
Que devemos então fazer para combater os nossos receios? Muita gente vai ao psicólogo. Eu estou a considerar seriamente uma lipoaspiração!
domingo, 29 de Junho de 2008
Num mar de pedras...
Decidi juntar 100 pedras polidas pelo mar...
Ontem comecei a procurá-las, perto do Sr. da Pedra (pareceu-me apropriado), em Miramar.
A princípio não foi tarefa fácil... Os olhos perdem-se no mar de pedras que este constantemente rejeita. Parece impossível escolher uma, que seja de entre tantas. Mas aos poucos os nossos olhos vão-se fixando nesta ou naquela. Às vezes vemos uma de relance, mas logo se perde no meio de todas as outras... Escolhi estas onze

Sei lá quantas deixei escapar...
Ontem comecei a procurá-las, perto do Sr. da Pedra (pareceu-me apropriado), em Miramar.
A princípio não foi tarefa fácil... Os olhos perdem-se no mar de pedras que este constantemente rejeita. Parece impossível escolher uma, que seja de entre tantas. Mas aos poucos os nossos olhos vão-se fixando nesta ou naquela. Às vezes vemos uma de relance, mas logo se perde no meio de todas as outras... Escolhi estas onze

Sei lá quantas deixei escapar...
segunda-feira, 16 de Junho de 2008
Amor de pêlo...
Marquês,
Boneca,
Boneca,
Pinóquio,
Alf,
Diana,
Diana,
Sissi,
Heidi,
Freud,
Shaghy,
Shaghy,
João,
Joana,
Sissi,
João,
Platão,
Ícaro,
Pandora,
Mia,
Matisse,
Frida,
Platão...
Boneca,
Boneca,
Pinóquio,
Alf,
Diana,
Diana,
Sissi,
Heidi,
Freud,
Shaghy,
Shaghy,
João,
Joana,
Sissi,
João,
Platão,
Ícaro,
Pandora,
Mia,
Matisse,
Frida,
Platão...
domingo, 15 de Junho de 2008
quarta-feira, 11 de Junho de 2008
O primeiro milho...
Jogar cartas com o meu pai é um dos meus (e seus) passatempos preferidos! Especialmente porque ele facilmente se abespinha quando perde as primeiras partidas... Mas muitas vezes acaba por dizer uma frase que muitos deveriam guardar sempre num cantinho especial da memória e que é "O primeiro milho é para os pardais"... O primeiro, que cai no chão e não amadurece completamente no aconchego da espiga! Aquele que não vai chegar à desfolhada, que não vai ser rei e provocar beijos, que não vai ser malhado ou entrançado...
Hoje é o primeiro dia dos meus 32 aninhos e creio sinceramente que "O primeiro milho é para os pardais"!!!
Hoje é o primeiro dia dos meus 32 aninhos e creio sinceramente que "O primeiro milho é para os pardais"!!!
terça-feira, 10 de Junho de 2008
Génesis...
E ao oitavo dia, Deus acordou de um grande e merecido sono reparador e olhou para tudo o que tinha criado... E foi então que criou os barbitúricos!
segunda-feira, 9 de Junho de 2008
Lago dos Cisnes...

Existe um verdadeiro "Lago dos Cisnes" em Kensington Gardens... Um lago onde princesas capturadas num feitiço dançam sobre a água "arabesques" perfeitos... Estive lá no outro dia a falar com uma delas, apesar de crer que não me tenha entendido, à conta de não conhecer muitos cisnes que falem português!
Surpreendem-se sempre os seus movimentos graciosos, tanto na água como no céu, mas não em terra firme... Talvez não sejam assim tão diferentes de nós, que tantas vezes andamos pesadamente, quando podíamos voar, deslizar, ou mergulhar! Afinal, o que pode impedir um cisne de voar? Falta de asas, de espaço, de ar? Perguntei-lhe, mas não obtive resposta...
"Wheat Field with Cypresses"

Sempre que estou em Londres vou visitar os meus quadros preferidos. Um deles é este Van Gogh, cujo movimento me deixa sempre (como diz um amigo meu) "abazurdida"!
A poucos metros deste quadro pode ver-se uma das cópias dos famosos "Girasóis", que, por ser uma das pinturas em "Destaque", tem sempre um amontoado de gente à sua volta. Por isso é sempre tão fácil olhar para o meu "Campo de Trigo com Ciprestes", ali mesmo ao lado. Tão bem posicionado, que não pode escapar a um olhar mais atento e suficientemente distante para poder ser apreciado à vontade...
E reparo sempre em mais um pequeno detalhe de cada vez que o observo...
quarta-feira, 28 de Maio de 2008
Ou então, que se desvie...
"Se um homem escreve bem só quando está bêbado, dir-lhe-ei: embebede-se. E se ele me disser que o seu fígado sofre com isso respondo: o que é o seu fígado? É uma coisa morta que vive enquanto você vive, e os poemas que escrever vivem sem enquanto."
Bernardo Soares
Bernardo Soares
domingo, 20 de Abril de 2008
segunda-feira, 7 de Abril de 2008
E se nos saísse a sorte grande...
Na minha família, a única pessoa que conhece a sensação de ganhar a sorte grande é a minha mãe.
Tudo aconteceu no dia que ficou conhecido para nós como: "o dia em que a mãe ganhou um jackpot do totoloto".
Na semana em questão havia um jackpot milionário no totoloto e, como sempre, o meu pai tentou a sua sorte. Na altura em que foram sorteados os números, o meu pai apercebeu-se de que tinha deixado um quadrado da grelha por preencher. Logo se formulou na sua cabecinha o dito plano: preencheu o quadrado em questão com a chave vencedora e toca a convencer a nossa mãe de que éramos milionários... E logo entramos todos na brincadeira (excepto o Manel que era ainda muito pequeno para perceber o que se passava), e depressa surgiram desejos, planos, projectos, sonhos... Que terminaram no dia seguinte quando pai soube que a mãe andava a espalhar a história pelos vizinhos e decidiu por tudo em pratos limpos. Que desilusão para ela... e para nós, que há conta da brincadeira, fomos castigados no almoço de domingo!!!
Estes anos todos passados recordamos de tempos a tempos o dia em que a mãe soube o que era ser rica... E no que teríamos sido se tudo fosse mais do que uma brincadeira... Poderíamos nós os três manos ser mais irmãos? Poderiam os meus pais, com todas as suas rabugices, gostar mais um do outro e de nós... e nós deles? Será que teríamos feito este mesmo precurso, com todas as suas dificuldades, mas sempre com uma grande consciência do valor das coisas... e das pessoas? Seriam os almoços de domingo ainda mais caoticamente divertidos? A verdade é que, sem jackpot (ou com ele), estamos todos atados por um nó de marinheiro! A verdade é que, passados todos estes anos, revendo aquilo que somos e o que temos, não acho mais que a mãe foi a única a ganhar a sorte grande...
E aquela pescada cozida, comida a custo naquele almoço de domingo, há mais de vinte anos atrás, ganha um gostinho especial... a riqueza!!!
Tudo aconteceu no dia que ficou conhecido para nós como: "o dia em que a mãe ganhou um jackpot do totoloto".
Na semana em questão havia um jackpot milionário no totoloto e, como sempre, o meu pai tentou a sua sorte. Na altura em que foram sorteados os números, o meu pai apercebeu-se de que tinha deixado um quadrado da grelha por preencher. Logo se formulou na sua cabecinha o dito plano: preencheu o quadrado em questão com a chave vencedora e toca a convencer a nossa mãe de que éramos milionários... E logo entramos todos na brincadeira (excepto o Manel que era ainda muito pequeno para perceber o que se passava), e depressa surgiram desejos, planos, projectos, sonhos... Que terminaram no dia seguinte quando pai soube que a mãe andava a espalhar a história pelos vizinhos e decidiu por tudo em pratos limpos. Que desilusão para ela... e para nós, que há conta da brincadeira, fomos castigados no almoço de domingo!!!
Estes anos todos passados recordamos de tempos a tempos o dia em que a mãe soube o que era ser rica... E no que teríamos sido se tudo fosse mais do que uma brincadeira... Poderíamos nós os três manos ser mais irmãos? Poderiam os meus pais, com todas as suas rabugices, gostar mais um do outro e de nós... e nós deles? Será que teríamos feito este mesmo precurso, com todas as suas dificuldades, mas sempre com uma grande consciência do valor das coisas... e das pessoas? Seriam os almoços de domingo ainda mais caoticamente divertidos? A verdade é que, sem jackpot (ou com ele), estamos todos atados por um nó de marinheiro! A verdade é que, passados todos estes anos, revendo aquilo que somos e o que temos, não acho mais que a mãe foi a única a ganhar a sorte grande...
E aquela pescada cozida, comida a custo naquele almoço de domingo, há mais de vinte anos atrás, ganha um gostinho especial... a riqueza!!!
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